Memoria e cybercultura : Entrevista com Pierre Levy

Esta entrevista feita em 2008

e publicada em

txt – leituras transdisciplinares
de telas e textos
ISSN – 1809-8150

Memória e cibercultura

Entrevista com Pierre Lévy

Por Lynnda Proulx e Maria Antonieta Pereira

Tradução de Anderson Fabian Ferreira Higino

Lynnda Proulx/Maria Antonieta – Para você, qual é a importância da tradição e da memória na cibercultura?

Talvez você fique um pouco desapontada, pois eu não tenho nada realmente novo a dizer. De todo modo, no tocante a essa questão… Bem, o ciberespaço é fundamentalmente uma tecnologia da memória, correto? Ou seja, as coisas são registradas digitalmente, em vez de serem impressas — digamos — ou gravadas em fitas magnéticas, e ficam acessíveis on-line. Desse modo, para mim, a grande novidade é que — concretamente, é o que está para acontecer — toda a memória da humanidade está em vias de ser digitalizada e disponibilizada on-line. E isso é completamente novo, porque em geral havia a memória de uma comunidade. Ou seja, havia memórias fragmentadas, umas ao lado das outras, elas não estavam reunidas em conjunto.

Agora é como se nós tivéssemos uma única biblioteca reunindo todas as bibliotecas, todos os centros de documentação, todos os jornais etc. — tudo reunido exatamente no mesmo espaço e automaticamente manipulável por meio de programas. Essa é uma situação para a qual não temos referências no passado cultural: não há instituições ou mesmo conceitos que se refiram a isso. Do meu ponto de vista, vamos aprender a domesticar essa situação progressivamente, através de muitas gerações provavelmente.

Quanto à importância da tradição e da memória na cibercultura, está claro, para mim, que a cibercultura é uma tecnologia da memória. Pode ser a memória de curta duração, como a que é acumulada por um grupo em interação. Mas pode ser também a memória de longa duração, como a memória das gerações passadas que nos foram legadas. E essa pode ser uma ocasião extraordinária para nos reapropriarmos dessa memória.

É isso. Como temos pouco tempo, não darei uma resposta mais longa. Mas digamos que, para mim, não há qualquer contradição entre a cibercultura e a memória: é exatamente o contrário.

Como você relaciona as árvores do conhecimento com os princípios do hipertexto que dialogam com o conceito de rizoma de Deleuze/Guattari? Elas teriam uma estrutura  arborescente e ao mesmo tempo rizomática?

O que aconteceu foi que Guattari viu as árvores do conhecimento — eu fiz muitas apresentações em sua presença — e as pessoas diziam “Mas como…? ”. Enfim, acusaram-me de não ter respeitado a ortodoxia, porque as chamei de “árvores” sendo que, no texto de Deleuze e Guattari, as árvores estão condenadas ao benefício do rizoma. E Guattari disse a essas pessoas: “São árvores se vocês quiserem. Mas são árvores que são rizomas, porque, de início, há muitas árvores possíveis. E elas se comunicam por um tecido[par um tissu], pois há coletivos humanos que as fazem crescer e que se comunicam por um tecido [par um tissu], como o rizoma, de maneira horizontal.” De todo modo, imaginei as árvores do conhecimento com alguns colegas em 1992, quer dizer, antes da web… Logo, isso é algo muito antigo… São sistemas de visualização dos conjuntos de conhecimentos e de competências pertencentes a grupos de pessoas, de maneira que elas pudessem se situar a si próprias no conjunto dos conhecimentos do grupo, além de encontrar os conhecimentos dos outros, em função dos seus próprios ou dos quais precisam para realizar projetos, para trocar saberes etc. Repare que não se trata de falar em gestão do conhecimento. Quer dizer, não se trata apenas de aumentar a produtividade das empresas, mas também de dinamizar os coletivos humanos em geral. Tenta-se valorizar ao máximo todos os conhecimentos e todas as competências, tornando-os conhecidos, fazendo-os servir para algo, etc. É, portanto, nessa ótica que eu desenvolvi esse programa de computador. Mas, hoje, eu estou envolvido com outros projetos de pesquisa que trabalham um pouco na mesma direção, ou bastante na mesma direção, mas que vão muito mais longe e nos quais a dimensão do rizoma é ainda mais evidente.

Eu me pergunto se você já viu as coisas que vou lhe mostrar agora (abre uma tela de computador que mostra uma árvore de conhecimento). Bom, isso é uma árvore, e cada nó aqui representa uma significação. Eu gero automaticamente essas árvores de significação e gero cada link entre, digamos, uma folha (ou um elemento da árvore) e a folha seguinte; ou, digamos, a geração seguinte — trata-se de uma função semântica particular. Assim, há muitas funções semânticas diferentes que interligam todos esses nós e, além disso, o mesmo nó poderia estar conectado a outras funções que viriam de outras árvores. Então, isso cria uma rede na qual não há uma árvore organizadora, mas uma multidão de árvores organizadoras que se entrecruzam.

Bom, trata-se de árvores porque é mais prático montá-las, no contexto da informática, mas, ao final, resultam em verdadeiros rizomas. E a idéia é criar, automaticamente, links hipertextuais como estes, porque hoje muitos são criados à mão, certamente. Desse modo, tem-se um conjunto de nós semânticos para o qual se podem criar links hipertextuais automaticamente e que pode servir para indexar[1] os documentos que existem na web. Isso permite navegar no interior da memória justamente em função das relações semânticas. Bom, hoje ainda não temos isso. Por exemplo, no Google, fazemos pesquisas com seqüências de caracteres: quer dizer, há uma letra que segue outra letra que segue outra letra… Não é possível fazer pesquisas sobre o sentido, sobre o conceito. E é isso que eu tento fazer.

Para mim, as árvores do conhecimento existem há muito tempo — de 1992 a 2008 são 16 anos — e eu não trabalho mais com isso. Agora, faço algo ainda mais rizomático do que as árvores do conhecimento.

Você mostra que a humanidade construiu quatro espaços de significação – a Terra, o Território, o Espaço das Mercadorias e o Espaço do Saber. Os movimentos ecológicos poderiam ser considerados uma forma de reunir esses quatro espaços?

Bem, digamos que o movimento ecológico se ocupa mais da Terra, de fato. É preciso ocupar-se (risos), pois isso é necessário. Eu diria que, no movimento ecológico, há uma conexão entre a Terra e o Espaço do Saber, por ele estar muito ligado ao conhecimento científico. As ecologias se apóiam fortemente nas observações científicas, nos modelos científicos, etc.

Em termos da economia, do consumo?

É isso. Mas esse é um modo de agir, afinal. Porque há diferentes modos de agir — por exemplo, há o consumo e o investimento responsáveis. Já o Território congrega as entidades políticas clássicas: como se vota etc. Mas eu diria que também é algo menos direto: é um modo de agir, é o objetivo que se quer alcançar por meio dessas ações, por meio dos diferentes espaços, no caso da ecologia, certamente, a Terra. Ou melhor, a biosfera.

Em sua proposta de inteligência coletiva, é fundamental a discussão de uma nova ética baseada na reciprocidade e na inclusão. Para além da família e da escola, quais seriam os espaços de aprendizagem nessa nova realidade?

Bem, que as TICs sejam baseadas num mínimo de reciprocidade, isso me parece evidente. Não há nada de especial aí. E a inclusão é o contrário da exclusão (risos). Bem, quando se fala de inteligência coletiva, não se vai começar por excluir, evidentemente. Se a inteligência é coletiva, é porque o outro é visto em termos do que ele pode trazer de diferente ou original, de pessoal ou especial à soma das experiências ou competências que já existem. Como cada um tem um percurso de vida e um conjunto de dons pessoais originais, o outro é sempre algo que vai servir para enriquecer a inteligência coletiva. Há sempre um potencial enriquecedor. Cada pessoa traz um potencial de enriquecimento da inteligência coletiva.

O conhecimento do outro, pouco importa de onde ele venha, pouco importa sua educação, tudo o que ele faz tem um valor… Mas é possível medir esse valor?

Eventualmente, é possível medi-lo, mas nunca de modo absoluto. Ele é sempre relativo a uma situação, às necessidades… Bom, eu não sei se sou muito bom em Física Quântica, mas quando se está no deserto e todo mundo está com sede, vale mais que eu seja bom em saber onde está o oásis. É isso o que eu quero dizer. Assim, é possível medir o valor, mas é sempre um valor circunstancial. Por isso, não se sabe nunca a priori se haverá circunstâncias que vão tornar o saber de alguém algo muito útil. Os espaços de aprendizagem dessa nova realidade estão por todo lado: na empresa, na cidade, na vida associativa.

Você define o outro como “aquele que sabe o que eu não sei” e propõe substituir o cogito cartesiano pelo cogitamus comunitário. Nesse caso, você estaria valorizando o saber-fazer que seria uma forma mais avançada de conhecimento?

Bom, digamos que na inteligência coletiva existe uma maneira de ver. Para mim, a inteligência humana é muito ligada à tradição. Tudo o que eu sei, tudo o que eu sei fazer é, em grande medida, aquilo que me ensinaram a fazer. Ou seja, não fui eu que inventei, isso me foi transmitido. Assim, existe um estado de coisas em torno de mim que me permite fazer de tudo — por exemplo, há computadores, telefones, lâmpadas, etc. —, que ampliam minha capacidade de ação e, ainda assim, não fui eu que inventei tudo isso. Há alguns livros que eu mesmo escrevi, mas a maioria dos livros não fui eu que escrevi. O que quero dizer é que nós estamos, o tempo todo, envolvidos numa rede extraordinária de saberes acumulados, incorporados nos objetos técnicos e sintetizados numa cultura, certo? Logo, a inteligência coletiva está aí, em volta de nós, na memória. Ela está também na troca, no diálogo, mas está muito maciçamente na memória. Nós agregamos algumas coisas. Mas é nada isso que podemos agregar pessoalmente, em relação ao que já estava aí quando chegamos. Isso é próprio do ser humano: estamos numa cultura e, por isso, não chegamos completamente nus e no meio de nada. Somos introduzidos na vida dentro de uma cultura.

Nesse caso, você estaria valorizando o saber-fazer, que seria uma forma mais avançada de conhecimento?

Bom, o saber-fazer é um conhecimento orientado para a prática, enquanto o conhecimento é abstrato e tem a grande vantagem de poder ser desvinculado de uma situação ou de um contexto particular. Digamos que, uma vez abstraído de uma situação particular, o conhecimento pode ser reutilizado noutra situação. Então, essa é a grande vantagem da abstração. Mas eu creio que existe uma dialética entre a abstração (conhecimento retirado da ação) e o saber-fazer (ação que se é capaz de efetuar numa dada situação, a partir do conhecimento). Então, digamos que há uma parte de abstração, a partir da prática, e uma parte de exercício bem dominado de uma ação, a partir de um conhecimento. É uma dialética: os dois são necessários.

Em toda a sua obra, você enumera vários fatores que contribuem para o desenvolvimento da inteligência coletiva e da democracia direta. Os grupos auto-organizados ou os grupos moleculares poderiam ser considerados a forma de organização típica desse processo? Esses grupos teriam uma organização hipertextual?

Isso depende dos grupos. Bem, uma organização burocrática federal em Ottawa, por exemplo, não é necessariamente uma organização hipertextual. Pode ser muito pesada, muito burocrática, muito hierárquica etc. Mas essa é uma organização oficial. Há sempre uma organização oficiosa, na qual há relações transversais, as pessoas se conhecem, etc. Há diferentes dimensões das organizações…. As novas tecnologias de comunicação podem favorecer modos de organização mais flexíveis, mais transversais, mais hipertextuais — mas isso não é automático… Logo, é preciso se apoiar ao máximo nesses instrumentos, quando estão disponíveis, para dinamizar os grupos, os coletivos, as organizações.

Mas há um tipo de grupo que é auto-organizado e molecular…

Bem, são duas noções diferentes, porque “auto-organizado” quer dizer que o grupo cria para si mesmo sua própria lei ou sua própria organização. “Molecular” é outra coisa. Se você puder ter um grupo “molar” que seja auto-organizado…

E se o grupo for molecular e auto-organizado, ao mesmo tempo?

… é que molecular quer dizer, na verdade, que não há instituição que defina o pertencimento ao grupo, em termos de grandes categorias. Por exemplo, se eu digo os homens e as mulheres, isso são grupos molares. Ou se eu digo os pobres e os ricos… também são grupos molares. Mas se eu conecto singularidades ou pessoas, essas são grupos moleculares, porque se definem a partir de um pequeno nível de especificação e não de um grande nível. E se eu digo que há grupos moleculares auto-organizados… É possível hoje — creio eu — fazer viver grupos moleculares auto-organizados mais facilmente graças às novas tecnologias, por causa de tudo que se relaciona às comunidades virtuais, às redes sociais etc. Porque as pessoas podem se conectar pelas características particulares que possuem. Mas se você analisa o Facebook ou o My Space, não está lá a grande inteligência coletiva ultra-criativa… Não é isso o que quero dizer. Não é porque as pessoas podem fazer coisas extraordinárias que elas as fazem… (risos). Para isso, é preciso um projeto, mobilização social, etc. Não se trata de algo automático.

Você aborda a construção de coletivos pensantes como a mais importante característica da sociedade contemporânea. Em termos educacionais, que relações haveria entre essa idéia e a prática da transdisciplinaridade?

Digamos que a finalidade dos grupos é pensar em conjunto, pensar melhor em conjunto, etc. É verdade que isso sempre existiu, mas é também verdade que isso se desenvolve cada vez mais. Por exemplo, a comunidade científica: em princípio, é sua razão de ser esse pensar em conjunto. Mas agora, cada vez mais, exige-se das pessoas que trabalhem em conjunto — nas empresas, nas administrações — que funcionem numa inteligência coletiva. Isso até chega a ser o objeto de toda uma corrente de gestão, de knowledge management. A idéia é que cada pessoa se considere contribuinte da memória coletiva e, ao mesmo tempo, possa buscar recursos na memória coletiva. Se há uma memória coletiva, cada um a alimenta e vai nela se alimentar. E assim se constrói uma inteligência coletiva. Logo, esse modo de pensar o grupo vai-se tornar o modo padrão na cultura do futuro. Mesmo que ainda não seja assim, é possível ver que nós caminhamos nessa direção…

E que relações haveria entre essa idéia e a prática da transdisciplinaridade? Bem, uma disciplina tem uma tradição, tem uma memória, um conjunto de produções, de resultados, de publicações, etc. Mas essa memória é separada da memória de outra disciplina. É uma memória fragmentada. Mas, se tentamos pensar em termos de inteligência coletiva, como desfragmentar a memória? E esse é o grande problema, na minha opinião. É a dificuldade de trabalhar na desfragmentação da memória. É por isso que eu tento imaginar um sistema de coordenadas semânticas que defina um espaço semântico quasi-infinito[2] que seja capaz de envolver todas as diferentes memórias fragmentadas no mesmo espaço aberto e infinito. Esse sistema seria maior — infinitamente maior — que todas as pequenas memórias fragmentadas. Nele, as pequenas memórias fragmentadas poderiam se comunicar umas com as outras. O que eu tento é dar um suporte técnico a essa idéia. Tornar calculável o espaço semântico.

Para que se possa utilizar uma biblioteca de modo correto, é melhor que haja o mesmo sistema de cotas[3] para todos os documentos da biblioteca, o mesmo sistema de indexação, o mesmo sistema de catalogação. Mas esse sistema é muito grosseiro, em realidade. No interior mesmo do sistema de documentação da biblioteca, existem os fichários, os títulos, os autores, as editoras, as datas, as palavras-chave. Mas os sistemas de catalogação e de documentação são diferentes no Brasil, na França, no Canadá, nos Estados Unidos, na Índia. Além disso, estão em línguas diferentes. E ainda que estejam na mesma língua, as palavras não têm o mesmo sentido: elas variam, de acordo com cada disciplina, por exemplo. Logo, como é a primeira vez que nos encontramos numa situação na qual toda a memória da humanidade está reunida no mesmo “continente”, é preciso ter um sistema de navegação, no interior dessa memória, que seja a medida da nova situação. E tudo o que temos, no momento, foi elaborado a partir de situações diferentes, de memórias fragmentadas. Então, é preciso ter: 1) um sistema universal; 2) um sistema infinito, no sentido de poder ser infinitamente mais e mais preciso, e no sentido de se poder diferenciar os conceitos sem limite; 3) e, finalmente, a capacidade de se fazer cálculos com esses conceitos. Isso não pode ser feito, se os conceitos forem expressos em linguagem natural. (risos de todos) Isso é engraçado…

Sim, pelo menos para mim…

Isso é porque, há 50 anos atrás, nós não tínhamos computadores. Então, essa questão nem tinha sido formulada. Não havia ciberespaço, não havia Internet, nada disso. Bom, acho que respondi a todas as suas questões…

Ottawa, jun./2008

[1] Nota do tradutor: ver figura das árvores de hiperlinks no verbete sobre Pierre Lévy da Wikipédia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Pierre_L%C3%A9vy&gt;. Acesso em: 18 nov. 2008.

[2] A expressão latina quasi aparece, aqui, no sentido usado na Matemática, na Física etc. [N.T.]

[3] No sentido cartesiano/topográfico. [N. T.]

The Thesis process

May 13th-2015
I am in the process of writting a thesis. It is taking a lots of my brain if not lots of my time. I always think about it. I have been thinking about it for the last 6 years. Many people around me have discorage in different ways me to pursuit my goal but i am still in it. Thus, my closest PhD collegues living the same experience as I, have been there for me when i needed to talk and are still there anytime i need them. It has been a long distance run, if i can put it in this way. Many time i have thought of surrending. But then i was asking myself why and what i would do instead with my time. My answers were always the same: my topic still stimulates me and i am not the type of person to give up almost at the end of a run. I will make it to final ceremony and receive the toge, the honnors, the applause and the papers. To be true, the participants who have been helping me with there sharing of stories and generous with their time are a big part of the reason as well why i am not giving up. Their story deserves to be told.

So far i have done the first three chapters and i am into reviewing them for the end of May in order to summit it for the last time to my supervisor before it reaches the Thesis Committee made of Professors and Specialits of some part of my topic. Some of you, Dear Readers, may ask why am I not into it just now instead of working on my blog? Well, this is part of my process. When writting so many pages on a topic you like, sometimes ones need to take distance from it in order to have a better view of the picture. In my case, i do many things to distract me from my thesis, so it may look. In fact. this is what i need to process all the informations i have read and it helps putting my ideas all together or even sometimes resting my thoughs about it. Of course, beside being a PhD thesis writer, i am also a professional working as a French language (Mother tongue) Professor which takes most of my time and allows me to earn my living. I have written other blog texts for my bilingual Students Association Newsletter some years ago about the experience of being a PhD student. Some have been published here and I will post more of them here again in the coming weeks. This is all about sharing my experience all together and to remind to any of you that entering into a project is important, but finishing it is even more important to reach the sense of accomplishment.

Feel free to comment and share your experience on the personal projects you are currently working on.

Cheers

Lynnda

The illusion

May 4th 2015

Art's way of relaxing
Art’s way of relaxing

Before

I had been hoping mother would be travelling with my elder sister Joe when driving back from Murès to Villemarie. She had sat mother living with Alzheimer, for the last 7 days in order to give a rest to Julienne since she is the only one able to watch over mother. As i say i was hoping mother would come to Villemarie and i would have fetch her there during last week end. It all seemed perfect for a plan, except that Mom was terrified at the idea of leaving her cats and dog by themselves. Of course, we mentioned her that either Julienne or brother Hebert. could go feed them, but she was just uneasy with the idea, not to say rude. I have called my mom at least 3 times, three weeks ago, while my brother Luis was there sitting her too, and then at least 4 times last week when it was Joe’s turn. Those 4 last times, we used Skype to communicate. On the phone, mother seemed fine, her tone was happy even though she would keep asking the same question over and over again. But on the visual screen, as she watch me, i keep wondering what she is thinking about, because she is not talking. She just watch me without saying nothing. When Joe is there, i talk with her, mom is beside and then she suddenly disappears out of the screen surface or frame. I asked Joe where she went and her answer is pretty much always the same. She went after her dog or her cats. This is systematically the same affirmation mother does also.

– I have no more cats. All my cats are gone.

And we keep telling her that she has her three cats and that they are just hiding or sleeping somewhere. But she still goes in and out of the house, going upstairs, in the basement, in the garden, repeating the same gesture dozens of time per day.

When mother was brought to the Hospital for her mental evaluation 4 years ago, it became a period of high tension in the whole brothers and sisterhood. My brother Hébert, who had been living with her most of his life, had decided to throw away lots of stuff in the house complaining about the fact that there was an epidemic of vermin and flees. So he threw every pieces of furniture of mom’s bedroom and living room, even carpets. And of course we believed him. Father, who is not living with her since they are divorce, mentioned to me later on that as brother Hébert was cleaning up things, he found out a dead baby cat mummified in a pile of clothes mother had just left there and was used as cats bed. When father was telling that story he seemed to be telling me that this did not made sense and that mother was going crazy with her cats, like how could she have left a dead stinky baby cat there? Well, at some points, there was more than 12 cats in the house and many of the females were pregnant in the summer of 2011. The smell of ammonia and cats excrement was floating in the air of the whole house. Especially upstairs. We discovered later on that the room, i have been sleeping in when visiting, had dried cat’s poo  hidden under the furniture, not to talk about all the piss that must have also been drying there for decades. No wonder why i became intolerant to this smell now.  I went there in July of that year 2011 in order to meet with Joe and do some cleaning of the house after the  »emptying »  Hébert had done. The girls would clean the whole mess up, of course. That is what women i there for, cleaning after men… But the plan changed because mom arrived in a taxi directly from my Uncle’s city where Luis and Joe had placed her in May 2011 to live with Uncle Clincey after mom was out of the hospital. This was like a choc for the two of us, me and Joe, since this was the last thing we were expecting. I can just imagine the state my mother was in. Crazy mom who paid her taxi drive 250$ to free herself from a situation she was not comfortable with. Not bad a decision for someone with Alzheimer. Overall, that summer was a very difficult one. Hard to recall those painful memories. Many thing happened that i will write in some other Blog entries later on.

So, like i was saying, i had hope that mother was going to be able to travel up to Villamarie then to Bytown, but i was just giving myself some illusions. When talking on Skype with mother last week and asking her how she felt about the possibility of coming to Bytown, she did not really say no, but was worried about the animals. In fact, what i saw was a woman with not much reactions and not being able to focus on the screen. This was my last hope. Then Joe, in one of the last face-talked we had, said that mother was probably not going to travel because it would disrupt her routine and environment and she would possibly become worried and stressed. So instead, i am the one who will be travelling to sit her but for less days that was first planned. I will go next week for 4 days.

A false promise of freedom to mother who used to love to drive along the roads from one village to the other.

Lynnda Proulx, Artist

Biographical note

Born in the region of Bas Saint-Laurent, Québec Lynnda lives as a Franco-Ontarian since 2000. Her artistic path from 1992 to now is like a window of fresh air in her daily routine where she can breathe freely and oxygenate her brain along with all the work she does as Professor and Scholar at College La Cité.

Lynnda is an autodidact artist and learns using and testing different techniques and mediums. On demand, her studio at home is open to public.


Artistic approach

« Since 2013, i have created a breach in my daily life, an opening toward a new dimension in order to free the thoughts, good or evil. As it is tracing its road inside me, the adventure of creating with oil paint and the magic of the knives acted as a revelation. I did not know I could express myself with these mediums until one day as an emergency to express a feeling, I took a small painting to let free a piece of my life. Then as I needed to say more, I painted a second one using the same tools expressing the flow inside me. I rather work the texture, forms, in the asbtract way and exploring other mixte mediums using knives and rarely pincels. I let my body, my hands travel on the surface on its own rhythm, I start a painting without a precise idea. Inspired at first by my own emotions, colors and shapes create their own way along the gesture. I am part of the contemporary abstract expressionist movement. »

ARTISTIC TRAINING
(2016-2021) Various Abstract painting courses at Ottawa School of Arts
(2014-2015) Courses supervised by David Jones, Canadian art painter
(2001 à 2004) Sculpture courses with Dawn Dale, Potery, Pastel drawings Ottawa School of Arts et ville de Hull
(1998) Batik Zimbabwe Technic (autodidacte)
(1993-1994) Theater courses théoritical and play UQAR with Dramaturge Miguel Rétamal and Professor Louis Hébert
(1991-sept./déc.)  Puppetteering training in Grenoble, France with André Peter (dir.), Théâtre La Rose

ÉVÉNEMENTS ARTISTIQUES
Performance 24 h/24 arts (Café-Galerie l’Embuscade, Trois-Rivières, 1987-1989), (Rimouski,1996), Pechakucha, Bravo Art at Alpha Gallery, Ottawa (October, 2018), White Water Gallery, North Bay with Bravo Arts (may, 2018).

Solo Exhibition Bluebird Café, Ottawa (2015), Art Galery of UQAR, Rimouski (1996), Bistro l’Anse-aux-coques Sainte-Luce sur mer (1996)/

Group Exhibition CAVMA – Art Gallery of Ottawa, Confluences, (2021), Confluence book by Bravo, (2021), Galerie petite g’art, Gatienau, (2021), Centre Inno@cité of Collège La Cité, Ottawa (2014), WildLife Society, Zomba, Malawi (1999), Regional Museum Bas Saint-Laurent, Rimouski (1997),


Contacts : twitter : @Lynnda Proulx
site : https://lynndaproulx.org/
courriel/mail : Lynnda@theplateau.com et lynnda@lynndaproulx.org

Artiste peintre : mes créations, ma démarche

Coordonnées : twitter : @Lynnda Proulx
site : https://lynndablog.wordpress.com/
courriels/mail :
Lynnda@theplateau.com
Lynnda@lynndaproulx.org

Note biographique

Franco-ontarienne d’adoption depuis 2000 et née au Québec dans le Bas Saint-Laurent, le parcours artistique de Lynnda de 1992 à 2020 représente une fenêtre de fraîcheur dans son quotidien. D’abord créatrice par les mots puis la sculpture de marionnettes géantes, elle emprunte le canevas et l’huile pour s’approprier ses émotions enfermées à double tour et apprivoiser son regard intérieur sur ses réalités altérées. Avec la création visuelle, elle respire à plein poumons et oxygène son cerveau en parallèle à sa vie professionnelle. Pédagogue, chercheure, conférencière et auteure, elle évolue dans le milieu de l’éducation postsecondaire en Outaouais.

Son apprentissage artistique, d’abord autodidacte puis par l’entremise de différents cours, évolue à travers l’application de différentes techniques et de différents médiums. Son atelier à la maison est ouvert sur demande au public. (contacter par courriel)


Ma démarche artistique

Depuis 2013, j’ai créé une brèche dans mon quotidien, telle une ouverture vers le large pour libérer le souffle émotif trop longtemps emprisonné. La création avec la peinture à l’huile et la magie des spatules représentent un moyen d’exprimer l’urgence de dire, ce qui n’était pas nommable pouvait être exprimé en couleurs et par le mouvement. Avoir besoin de laisser tomber les masques m’a conduit à l’emprunt de ces outils de création pour libérer une émotion et la transformer en liberté.

En atelier, je travaille avec l’huile et ses différents médiums dont la cire froide, à l’aide de spatules surtout, mais aussi des chiffons et avec mes doigts, glissant sur le canevas comme des pinceaux, couche par couche. Je peins sur différentes grandeurs de canevas selon le projet créatif à exprimer. Être humain extrasensible, je pars de mes images intérieures, mes rêves, mes visions, ma trame traumatique pour raconter mes histoires, pour libérer mes émotions, et les appliquer sur la surface encore vierge. La création me sert de matériaux de construction ou de reconstruction pour donner un meilleur sens à qui je suis, qui je deviens, ce que je ressens. Les couleurs, les textures, la lumière naturelle du matin, le geste dans les différentes couches successives, représentent chaque parcours de ma vie et laisse la trace de mon être. J’explore les formes, l’Art abstrait, le figuratif et les techniques mixtes pour faire ressortir tant ma part d’ombre que mes éclats lumineux.

Ainsi, de l’intérieur vers l’extérieur, mon art devient un carrefour qui me dirige vers la direction à suivre. Sur le canevas cohabitent le sombre et la lumière, oxymore visuel, alliant en juxtaposition les contrastes entre réalité, réalité du rêve diurne et le nocturne. Je peux laisser sortir ma part d’ombre pour la raconter, l’apprivoiser et l’accepter par sa mise en lumière puisqu’elle est sortie sur le canevas. Un parcours de pratique qui exprime mes différentes réalités altérées vécues et enfin libres de vivre.

Je m’inscris d’abord dans un courant expressionniste abstrait contemporain tout en continuant d’explorer d’autres grands courants artistiques tels l’expressionnisme figuratif et l’impressionnisme européen. Je m’inspire des parcours de quelques artistes européens et américains dont la peintre de l’Ouest canadien, Emily CARR, pour son courage d’emprunter une carrière où peu ou pas de femmes étaient admises, son originalité et ses sujets d’études anthroppologiques sur la nature et les autochtones canadiens. Willem de KOONING, Wolf KAHN et  notamment Paul KLEE figurent parmi les peintres qui nourrissent mon imaginaire.

FORMATION ARTISTIQUE

(2019-2020) Cours ; Expressionnisme abstrait avec Andrea Mossop,  Cire froide, style G7 – Anna Krak-Kepka, David Kearn, École d’Arts d’Ottawa – Shenkman, Orleans.

(2016-2018) Formation de base – acrylique enseignée par Sylvie Pilon et Mixmédias enseigné par Jo Mignot et CALACS d »Ottawa

(2014-2015) Cours libres supervisés par David Jones, artiste peintre canadien

(2001 à 2004) Cours de sculpture avec Dawn Dale, cours céramiques et dessins Ottawa School of Arts et ville de Hull/(1998) Techniques de batik du Zimbabwe (autodidacte)/(1993-1994) cours de théâtre théorie et jeux UQAR avec Professeur Louis Hébert et Dramaturge Miguel Rétamal/(1991-sept./déc.) stage de marionnettiste, Théâtre La rose, Grenoble, France, André Peter (dir.)

ÉVÉNEMENTS ARTISTIQUES

Ateliers de marionnettes
École de langue française de Western Ontario à Trois-Pistoles, Qc (1992-1993)
Activités Loisirs de la ville de Rimouski, Qc (1994)

Performance
24 h/24 arts (Café-Galerie l’Embuscade, Trois-Rivières, 1987-1989), (Rimouski,1996)
Théâtre La Rose, Grenoble, France (1991)
Théâtre itinérant des marionnettes du monde, Rimouski (1992-1995)

Exposition solo
Bluebird Café, Ottawa (2015) / Galerie de l’UQAR, Rimouski (1996) / Bistro l’Anse-aux-coques, Sainte-Luce sur mer (1996)

Exposition de groupe
Galerie d’art d’Ottawa, Ottawa 2021/ Galerie de la petite G’art, Gatineau, 2021/ Pecha Kucha, Galerie Alpha, Ottawa, 2019/ White Water Gallery, North Bay, 2018/ Arts-au-parc, Val-des-bois, 2018/ Centre Innov@cité du Collège La Cité, Ottawa, 2014-2015/ Festival Franco-Ontarien, Ottawa, (2015)/ Musée régional du Bas Saint-Laurent, Rimouski, 1997/ Wild Life Society, Zomba, Malawi, 1999